“o soco da solidão
o gosto pardo da jabuticaba madura
as gaivotas na praça da estação
a torre da igreja temerária e confusa
a espada fincada no chão
sistema nervoso central de anomalias
a fúria emerge e salta pelos olhos
reação tardia querendo voltar
tão intrínseco e particular
a chegada no condomínio pacifico
os dentes das capivaras
o fuzil disparado pelos olhos
o discurso maculado do porteiro triste
ao ver os punks e seus cabelos coloridos
coreografia de paralíticos ensandecidos
a língua nervosa e psicoanalítica do vizinho João
versão intransponível de fatos corriqueiros
sermos a folha que voa e se mistura a terra roxa dos pastos
o escarlate andrômeda do abismo de maria
a sabedoria planificada dos alcorões da alma
o acordeão de sentimentos inóculos sem visão
a janela dos edifícios e seus suicídios
tantos andares de ilusão e fúria
na jogatina diária das universidades que estampa
o conhecimento vago do cruxifixo na capa do livro
a máscara tenebrosa do monitor nerd assexuado
o olho do meu coração que não quer ver
e que despenca e emudece o mar
dependura os traços envergados da alma que grita
querendo ser pássaro
querendo ser livre
querendo ser sem você
querendo ser apenas um
vivo e emortecido
sob a ilusão multicolorida
dos astros
do universo
sobre a utopia
do coração afogado
que pega folego e respira
estou cá, viva mais uma vez.”
—  Elisa Bartlett em “Ensaio lisérgico de um afogamento impune.”